Google AI Overviews: porque é que o seu site deixou de receber cliques

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Resposta rápida: os Google AI Overviews são as respostas que a Google escreve por cima dos resultados, montadas a partir de páginas de terceiros. Para uma empresa de serviços muda uma coisa só — mas essa muda tudo: deixou de bastar aparecer na Google. É preciso ser a fonte que a resposta cita.

Em seis meses, o nosso site apareceu 7.692 vezes nos resultados da Google. Foi clicado 52 vezes. Não é uma penalização nem um erro de medição: é a nova aritmética da pesquisa — e conhecemo-la primeiro pelos nossos próprios números, antes de a vermos nos dos clientes.

Se anda a estranhar que o tráfego do site tenha encolhido sem nada ter mudado no site, é provável que já se tenha cruzado com os Google AI Overviews sem lhes saber o nome.

Neste guia:

  • O que são exatamente os Google AI Overviews;
  • Quantos cliques desaparecem quando eles aparecem;
  • Porque é que ranquear na Google já não garante ser citado;
  • Como a inteligência artificial escolhe as fontes que nomeia;
  • Cinco coisas que pode fazer esta semana;
  • E como medir isto tudo sem se enganar a si próprio!

O que são os Google AI Overviews?

Os Google AI Overviews são blocos de resposta gerados por inteligência artificial que a Google coloca no topo da página de resultados. Não são um anúncio nem um resultado orgânico: são um texto novo, escrito na hora, a partir de várias páginas da web — algumas das quais ficam citadas ao lado, em links pequenos.

A documentação da Google para quem publica na web descreve o funcionamento sem rodeios: o conteúdo elegível para aparecer nestas respostas é o mesmo que já era elegível para a pesquisa normal. Não há formulário para preencher nem etiqueta para colar.

O que muda é o destino do trabalho. A sua página deixa de ser o sítio onde a pessoa lê a resposta. Passa a ser a matéria-prima com que a resposta é escrita.

Para quem vende serviços, é aqui que dói. As perguntas informativas — «quanto custa», «como funciona», «qual é a diferença entre» — são exatamente as que enchiam o topo do funil. São também as que os Google AI Overviews respondem melhor.

Google AI Overviews: a Google responde sem abrir o seu site

Quantos cliques é que os Google AI Overviews lhe tiram?

Cerca de metade. O estudo do Pew Research Center acompanhou 68.879 pesquisas reais. Quando aparecia uma resposta gerada por inteligência artificial, os utilizadores clicaram num link em 8% das visitas. Quando não aparecia, clicaram em 15%.

E clicar nas fontes citadas dentro da própria resposta aconteceu em 1% das visitas. Repare no que esse número quer dizer: ser citado não lhe devolve o clique. Devolve outra coisa — o nome. Já lá vamos.

Nos nossos dados, a queda tem uma cara concreta. Entre fevereiro e agosto de 2026, o vloom.pt registou 7.692 impressões na pesquisa da Google, para 561 pesquisas diferentes. Dessas 561, 546 não geraram um único clique. São 97,3%. O CTR global ficou em 0,68%.

E não é um problema de posição. Nas 157 pesquisas em que aparecemos na primeira página, foram 1.547 impressões para 42 cliques: 2,71%. Há cinco anos, uma primeira página com este volume trazia um múltiplo disto. É esta a fatura dos Google AI Overviews para quem trabalha conteúdo em Portugal.

Os nossos números reais de pesquisa com Google AI Overviews em seis meses

Aparecer na Google é o mesmo que ser citado pela inteligência artificial?

Não. São dois marcadores separados — e confundi-los é o erro de leitura mais caro que vemos neste momento.

Uma empresa pode estar em primeiro lugar numa pesquisa sem ser mencionada na resposta que fica por cima dela. Pode acontecer o contrário: ser a fonte que a resposta parafraseia sem nunca ter estado no topo dos resultados.

Os Google AI Overviews puxam pelo índice da própria Google — nisso o SEO clássico continua a ser a fundação. Mas o ChatGPT ou o Perplexity pesquisam de forma muito mais livre — o que os move é outra coisa. É por isso que continuamos a tratar o segredo do SEO na Google como base do trabalho, nunca como a estratégia inteira.

Dois marcadores diferentes
Ranquear na Google vs. ser citado pela IA
 Ranquear na GoogleSer citado pela IA
O que pesa maisA página e os links que aponta para elaO que a web inteira diz de si
Onde se vêPosição média no Search ConsoleMenções da marca e respostas onde aparece
O que lhe dáA visita, agoraO nome — e a procura pela marca depois
O que o mataPerder posições para um concorrenteDizer exatamente o mesmo que toda a gente
Quem controlaVocê, dentro do seu siteTerceiros, fora do seu site

Como é que a inteligência artificial escolhe quem cita?

Por três sinais — nenhum deles técnico.

O primeiro é o consenso. A análise da Ahrefs a 75.000 marcas mediu a correlação entre vários fatores e a visibilidade nos Google AI Overviews. As menções da marca na web ficaram em 0,664. Os backlinks — o indicador em que a indústria de SEO passou vinte anos a trabalhar — ficaram em 0,218. Dito de outra forma: pesa mais o que se diz de si em sítios que não controla do que os links que conseguiu negociar.

O segundo é a frescura. Uma página parada há seis meses fica em desvantagem mesmo estando bem escrita. Foi por isso que passámos a incluir a atualização de artigos antigos no nosso ciclo de publicação, a par das peças novas. Datas, números, exemplos: é trabalho aborrecido que quase ninguém faz.

O terceiro é a originalidade. Um modelo de linguagem não precisa de citar ninguém para repetir o que está em cem páginas iguais. Só nomeia uma fonte quando essa fonte tem alguma coisa que as outras não têm: um teste, um processo, um número medido. Na prática, é a diferença entre escrever «o email marketing tem bom retorno» — e dizer quanto custou realmente uma lead numa campanha que gerimos no mês passado.

Há ainda um mecanismo que muda a maneira de escolher temas. A pergunta que a pessoa faz não é a pesquisa que o modelo corre: ele parte a pergunta em dezenas de pesquisas menores, corre-as em paralelo e junta as respostas. Quem afinou uma página para uma única expressão fica de fora da maioria dessas pesquisas. Quem cobre o tema inteiro — a pergunta principal, as sub-perguntas, as objeções — aparece em várias.

Nos Google AI Overviews a IA cita quem tem dados próprios, não quem repete

O que fazer esta semana por causa dos Google AI Overviews?

1. Confirme que não está a bloquear os robôs de IA

Abra o seu domínio seguido de /robots.txt e procure regras Disallow para GPTBot, OAI-SearchBot, ClaudeBot ou Google-Extended. É uma falha binária e silenciosa: não dá erro, não afeta a Google, não aparece em relatório nenhum — e torna o seu site inexistente para aquele modelo.

Muita gente bloqueia sem saber, por ter herdado o ficheiro de um template antigo ou por uma definição de Cloudflare que passou a vir ligada por defeito. Fizemos a verificação ao vloom.pt enquanto escrevíamos este artigo: está limpo. Demorou trinta segundos. É o primeiro passo antes de concluir que «a IA não nos cita» — e não custa nada.

2. Responda na primeira linha

O modelo parte a página em pedaços e procura um que responda sozinho. Se a resposta está no oitavo parágrafo, depois de três de aquecimento, ele salta a página. Corte o «neste artigo vamos explorar» e diga já a conclusão.

3. Escreva os subtítulos nas palavras do cliente

Os subtítulos devem ser as perguntas exatas que as pessoas fazem, não categorias de índice. E cada secção tem de fazer sentido lida isolada, porque não é você quem escolhe onde o texto é cortado.

4. Ponha lá dentro um número que só você tem

Um valor das suas campanhas, o resultado de um teste, uma observação do terreno. É o único ativo que não pode ser resumido a partir da página de outra pessoa. Quando trabalhamos com uma clínica ou uma escola, é sempre daqui que sai o ângulo que mais nos distingue.

5. Trate do que se diz de si fora do seu site

Diretórios do setor, associações profissionais, artigos de comparação, entrevistas, vídeo. Parece-se mais com assessoria de imprensa do que com SEO — é onde está o fator de maior correlação de todos. Não consegue editar a página de outra pessoa, mas consegue estar lá.

Três verificações rápidas para os Google AI Overviews

Como medir se os Google AI Overviews trazem clientes?

Por três vias, todas imperfeitas. Vale a pena saber isso à partida, para não fingir uma precisão que não existe.

A primeira é o tráfego de referência. Nem todas as plataformas passam a origem corretamente, por isso o número serve para ver direção, nunca para prestar contas. Na folha onde acompanhamos o nosso próprio blogue, as sessões vindas de ferramentas de inteligência artificial estão hoje em 0,3% do total. É pouco. Há um ano era zero.

A segunda é a atividade dos robôs no site. Se um robô de citação bate sempre na mesma página, é provável que essa página esteja a ser usada como fonte de respostas.

A terceira é a única honesta: pergunte. Um campo «como nos conheceu?» no formulário custa dez minutos a montar e é a diferença entre saber e supor. Vale a pena montá-lo logo à entrada do funil de vendas, antes de qualquer automação de marketing, porque nenhuma sequência bem montada compensa não saber de onde vêm as pessoas.

Há uma consequência desconfortável em tudo isto, melhor dita agora do que descoberta daqui a seis meses: a sua melhor página deste ano pode parecer morta no relatório e estar a ser lida todos os dias. É uma das primeiras expectativas que ajustamos quando fechamos um orçamento de marketing digital com um cliente novo. Julgar conteúdo só pelo tráfego, na era dos Google AI Overviews, passou a ser uma leitura incompleta.

Com os Google AI Overviews uma página pode ter zero visitas e milhares de leituras

Perguntas frequentes sobre os Google AI Overviews

Os Google AI Overviews aparecem em todas as pesquisas?

Não. Os Google AI Overviews concentram-se nas pesquisas informativas — sobretudo nas que têm forma de pergunta. As pesquisas por nome de marca são as menos afetadas, o que explica porque é que a defesa mais sólida contra esta mudança é ter gente a procurar-lhe o nome.

Posso impedir a Google de usar o meu conteúdo?

Existem controlos técnicos para limitar o uso do conteúdo, mas há um preço claro: sair destas respostas é desaparecer do sítio onde a decisão está a ser tomada. Para uma empresa de serviços, a jogada útil quase nunca é bloquear. É ser a fonte escolhida.

Ainda vale a pena investir em SEO?

Sim, com outro objetivo. O trabalho técnico e de conteúdo continua a ser a fundação, porque os Google AI Overviews são construídos a partir do índice da própria Google. O que muda é a medida de sucesso: deixa de ser só a posição — passa a incluir se o seu nome aparece dentro da resposta.

Quanto tempo demora até uma empresa começar a ser citada?

Não há garantia de prazo, porque depende de sinais fora do site. O que se observa é que as mudanças no próprio site (responder primeiro, cobrir o tema todo, refrescar páginas) mexem em semanas, enquanto as menções externas levam meses a acumular.

O blogue ainda faz sentido se as pessoas já não clicam?

Faz, com uma condição: tem de dizer alguma coisa que mais ninguém diz. Um blogue que repete o consenso do setor tornou-se invisível — é resumido sem ser nomeado. Um blogue com dados próprios passou a ser a forma mais barata de entrar nos Google AI Overviews que os seus clientes leem.

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