Contrata rápido e despede devagar? Então está a criar um “inferno” na sua empresa

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Anda à procura de novos colaboradores para a sua equipa?

Então guarde esta estatística na cabeça, porque ela explica metade do caos que existe dentro de muitas empresas: a taxa média de sucesso de contratações, na maioria dos negócios, ronda os 48%.

Traduzindo: 1 em cada 2 pessoas que contrata hoje provavelmente não vai estar consigo daqui a um ano.

É absurdo. E ao mesmo tempo é a coisa mais comum do mundo.

E por que raio isto acontece?

Porque o empresário está a fazer o trabalho de 10 trabalhadores ao mesmo tempo.

Chega a um ponto em que já não está a gerir, está a sobreviver. E quando se está a sobreviver, contrata-se como?

A correr. Em cima do joelho. Quando já está aflito.

E depois acontece a parte mais perigosa: muitas vezes, o empresário não tem a coragem de despedir quando deve.

Ou seja, faz exatamente o contrário do que devia fazer: contrata rápido e despede devagar. A fórmula perfeita para colecionar problemas. pergunta direta: isto acontece-lhe a si?

Se sim, então vale a pena olhar para o “jogo” como ele realmente funciona.

O que acontece quando contrata rápido?

O problema não é falta de candidatos. É falta de tempo (e de método).

A maioria das pessoas contrata com a ideia de que “o mercado está mau”, “não há bons profissionais”, “ninguém quer trabalhar”.

Pode ser verdade. Mas não é a raiz.

A raiz é esta:

  1. Os trabalhadores de primeira linha estão menos disponíveis, porque as empresas fazem tudo para não os perder.
  2. Os de segunda e terceira linha estão mais disponíveis, porque mesmo quando têm emprego não são valorizados e andam sempre a olhar para o lado.
  3. Logo, quando lança um anúncio de emprego, é mais provável receber candidaturas medianas, porque existem mais.
  4. E se o seu recrutamento for “a correr”, a probabilidade de contratar mal dispara.

Resultado?

Você fica com alguém que não está a construir nada consigo. Está só a “passar por cá” enquanto procura outra coisa.

E isto cria um ciclo vicioso:

  • o serviço piora;
  • a empresa cresce mais devagar;
  • você perde tempo a formar pessoas novas;
  • volta a ficar aflito;
  • contrata outra vez “em cima do joelho”.

É um inferno silencioso. E muita gente só percebe que está nele quando já está a pagar a conta.

A solução: contratar antes de precisar (mesmo quando parece contraintuitivo)

Se quer sair deste ciclo, há uma regra simples que parece impossível mas resolve: comece a contratar ANTES de precisar.

Sim, antes.

Porque ninguém bom vai largar um bom lugar para entrar no seu “comboio em andamento e a arder”.

Quem entra nesse cenário, normalmente, é quem:

  • está descontente,
  • está perdido,
  • ou está a saltar de sítio em sítio.

E depois você pergunta-se porque é que “as pessoas não vestem a camisola”.

O que fazer, na prática?

  • Mantenha vagas abertas no seu website (mesmo que “não precise já”).
  • Faça scouting com calma: fale com pessoas que gostaria mesmo de ter na equipa.
  • Mantenha uma pipeline de contratações organizada (sim, pode ser num Excel simples — o objetivo é ter controlo, não ter uma plataforma bonita).

Quando você faz isto, muda o poder de lado: deixa de estar a contratar por desespero e passa a contratar por escolha.

Como contratar por escolha

Contrate lentamente (muito lentamente)

Aqui está outra ideia que choca, mas salva empresas: o seu processo de recrutamento tem que ser demorado. Se é rápido está a selecionar “o que aparece”, não “o que serve”.

Na Vloom, por exemplo, o recrutamento envolve, pelo menos:

  • Fase de candidaturas
  • Avaliação de portfólio
  • Entrevista inicial 1
  • Entrevista inicial 2
  • Fase de teste (duas semanas)
  • Entrevista de acordo 3
  • Contratação formal

Isto demora 3 a 6 meses, em média. E sim: há empresas com processos ainda mais longos. E por um motivo muito simples: é mais barato perder um candidato bom do que ficar com um candidato médio durante um ano inteiro.

Como “cheirar” trabalhadores de segunda e terceira linha (sem ser injusto)

Há frases que não provam nada mas acendem luzes.

Esteja atento quando ouve:

  • “Estou à procura de uma nova oportunidade”
  • “A empresa seguiu outro caminho / fundiu-se / foi vendida e o meu posto acabou”
  • “Não estava em linha com o meu gestor”

Não quer dizer automaticamente que a pessoa é fraca. Mas pode indicar que está perante alguém que:

  • não está a ser puxado para cima,
  • não está a ser disputado,
  • e muitas vezes está a “fugir” mais do que a “construir”.

Agora compare com o discurso típico de um craque. Um craque costuma dizer coisas como:

  • “Fui promovido recentemente”
  • “O nosso maior concorrente já me abordou com um acordo forte”
  • “O meu chefe mudou de empresa e quis levar-me com ele”

Repare na diferença: um craque não está a explicar porque é que está “disponível”. Está a explicar porque é que, mesmo não estando disponível vale a pena lutar por ele.

Em suma

Se quer construir uma equipa que faz a empresa crescer (em vez de lhe dar mais trabalho), então leve isto como regra de sobrevivência: rodeie-se de craques. Contrate lentamente e despeça depressa.

Porque, no final do dia, a verdade é simples e dura: a sua empresa vai crescer ao ritmo da sua capacidade de contratar melhor ou pior.

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